terça-feira, 26 de abril de 2011

Armazene seu alimento em vidro, não em plástico

O BPA (Bisfenol A) foi inventado na década de 30 na busca de estrógenos sintéticos, mas hoje está profundamente inserido em nossa sociedade de consumo. Atualmente, ele é usado em muitos plásticos comuns e como “verniz” na parede interna de latas de alimentos. É o monômero mais comum para os policarbonatos objetivados para o contato alimentar, e por isso mesmo, pode contaminar os produtos alimentícios.
Um estudo da Universidade Case Western Reserve (EUA) mostrou que o BPA foi o responsável por causar deformação em óvulos de camundongos de laboratório. A atividade química do BPA é semelhante à do hormônio feminino estrogênio e alguns pesquisadores já desconfiavam que ele pudesse danificar os órgãos sexuais de fetos.
Na verdade, o estudo começou por acaso. A Dra. Patrícia Hunt notou defeitos genéticos incomuns nos óvulos de camundongos, e ao perseguir a causa, desconfiou das gaiolas de plástico transparentes. Seus estudos mostraram que mesmo traços residuais da BPA – 20 partes por bilhão em água potável – levam à alteração de 8% dos óvulos. Em condições normais, apenas 1% dos óvulos deveria apresentar defeitos. Outros estudos apontam que o BPA pode causar, em fetos de animais, problemas no desenvolvimento de testículos, da próstata e na contagem de esperma. Isso quer dizer que o mesmo pode acontecer com seres humanos, aumento o risco de defeitos congênitos, como por exemplo, síndrome de Down.
Apesar das pesquisas patrocinadas pelas indústrias de plástico, esses dados são razões suficientes para você preferir armazenar seus alimentos (inclusive água) em recipientes de vidro. Isso é particularmente importante se os alimentos forem gordurosos (biscoitos, queijos, manteiga, chocolate, tortas, etc.), pois esses agentes tóxicos passam facilmente do plástico para a gordura.
Diminua também os alimentos líquidos em plásticos leves. Isso não inclui apenas os sucos em embalagens de papelão (tetra-pack ou longa-vida), que têm uma camada interna de plástico, mas também algumas frutas e verduras em latas, que podem também ter uma camada interna de plástico.
Uma das primeiras providências para reduzir a exposição ao Bisfenol é NUNCA usar xícaras ou copos de isopor, principalmente para bebidas quentes. Isso se torna mais grave se lembrarmos de que toda mamadeira para bebês é de plástico (lembra-se que já houve uma época onde elas eram de vidro?).
Outra providência fundamental para sua saúde é NUNCA aquecer alimentos em plásticos, o que significa dar adeus ao jantar no micro-ondas. Se você ainda quer se arriscar a comer comidas desse tipo, transfira a comida para um recipiente de vidro antes de esquentá-lo.
Lembre-se: até que a indústria de plásticos pare de usar todos os agentes suspeitos ou revele quais os seus produtos que contêm esses agentes químicos, não se tem como saber se eles estão presentes ou não. Entretanto, as sugestões que apresentei acima podem reduzir substancialmente a sua exposição e a da sua família.

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